De novo, o amor
Meu coração amanheceu cheio de palpitações.
Coração taquicardíaco.
Tenho medo de corações que batem rápido.
Ameaçam parar de bater, por esforço repetitivo.
Nosso coração envelhece,
do jeito que nossa pele vai ficando manchada e meio flácida?
Com certeza.
Coração bate todo dia e cansa,
sem direito a descanso.
Só há um jeito de fazer valer tanto esforço:
dar amor aos montes,
pelas coisas simples e pelas complexas.
Amor dá trabalho, mas alimenta esse músculo pulsante.
Amor é aquele troço que cabe em tudo, mesmo no desamparo.
A gente pode amar até a lama sujando nossos sapatos, em dia de chuva.
E chorar lágrimas autênticas,
de quem vê o aparentemente supérfluo, com outros olhos.
Ficar arrepiada, ficar arrepiada:
É amar o que te dá comichão e levanta seus pelinhos do braço.
Venho insistindo nesse fato:
a gente inventa o que amar e depois diz que não teve escolha.