Teste de 23 de novembro de 2011

28-12-2011 10:49

 

Simone de Beauvoir foi a esposa de Sartre e eu não sei direito porque tenho que começar a falar dela assim, como a esposa de alguém. Eu a conheci quando li uns trechos de "O Segundo Sexo", quase uma Bíblia do Feminismo, na época em que me sentia feminista. Foi um susto encontrar um livro dela de ficção, ainda que inconfundivelmente feminista e até auto biográfico, porque a gente sempre escreve sobre a gente, no fim das contas.

Isso aconteceu numa tarde linda em que andava no Rio de Janeiro, a caminho do Santos Dumont. Entrei numa livraria apaixonante e fiquei bisbilhotando. Achei "A Mulher Desiludida" e o li quase todo no aeroporto, enquanto esperava meu voo.

O trecho do Poesiômetro é do conto que tem o mesmo nome do livro. É a história de Monique, uma mulher  bem casada, com duas filhas já adultas que perde o eixo ao saber que o marido se apaixonou e está tendo um caso com outra mulher... "Todas as mulheres acreditam-se singulares, todas pensam que determinadas coisas não lhes podem acontecer e todas se enganam". É essa a medida do sentimento de desencaixe que Monique experimenta e experimentam todas as mulheres que precisam alterar seus scripts sem prévio aviso.

O livro todo, mas especialmente esse conto traz a descrição fidelíssima e desconcertante dos sentimentos confusos e implodidores que tomam as três mulheres dessas histórias e isso é bem bonito de se ler. Eu amei.

 

 

 

 

"O obstáculo ainda é mais intransponível para pessoas que, como nós, prezam tanto a sinceridade. (Eu reconheço: encarniçadamente, eu mentiria para esconder uma mentira.) Nunca a suportei. As primeiras mentiras de Lucienne e Colette me desolaram. Custei a admitir que todas as crianças mentem para suas mães. Não comigo! Não sou nem mãe nem mulher a quem se minta. Orgulho imbecil. Todas as mulheres acreditam-se singulares, todas pensam que determinadas coisas não lhes podem acontecer e todas se enganam".